Hoje em dia a moda é fazer adaptações dos antigos
contos de fadas, no cinema temos “Espelho, espelho meu”, “Branca de neve e o
caçador” e A garota da capa vermelha. Na TV há séries como “Once Upon a Time” e
“Grimm”. Mas foi no começo dos anos 2000 que duas obras se destacariam por
subverter cada um a sua maneira os contos de fadas. A primeira todo mundo
conhece, Shrek ficou famoso pela ironia do roteiro, pelos divertidos números
musicais e por abordar a história não do ponto de vista de um herói ou uma
princesa, mas sim de um ogro. A outra obra é uma adaptação em histórias em
quadrinhos, Fábulas ficou conhecida pelo roteiro inteligente e a forma adulta
que lida com os velhos contos.
E lendo “Lendas no exílio”, primeiro arco de
histórias não é difícil entender por que a série faz tanto sucesso. O
roteirista Bill Willingham usa os velhos personagens
conhecidos de todos nós de forma inteligente e
cativante, Esse primeiro arco serve como introdução para o mundo de Fábulas,
nele sabemos que alguém conhecido apenas como O Adversário tomou os antigos
reinos das fábulas e elas fugiram, com o passar do tempo acabaram exiladas em
Nova York. Agora as fábulas vivem secretamente no nosso mundo, se passando por
pessoas normais, muitas delas não tem mais esperanças de recuperar suas terras.
Logo tudo estava tranquilo até que Rosa Vermelha desaparecer. Sua irmã, Branca
de neve, que ocupa uma posição importante na cidade das fábulas, com a ajuda de
Bigby Lobo, o Lobo Mau, começam a procurá-la. E logo nas primeiras páginas da
para notar como Willinghan criou (ou melhor recriou) bem as personalidades dos
personagens. Branca de Neve é temperamental e cabeça dura, O Lobo Mau é frio e
pragmático, João das Lorotas (o mesmo que vendeu os feijões mágicos) é um
enganador. Barba Azul é um aristocrata e assim como em sua versão original,
potencialmente perigoso. Príncipe Encantado é um folgado manipulador O conceito
de magia que o autor usa também é muito legal, no decorrer da história ficamos
sabendo que o maior segredo das fábulas é o seu anonimato no nosso mundo, mas
nem todas têm forma humana, logo elas tem tomar poções para adquirir forma
humana ou ir para a fazenda, onde ficam as que tem forma de monstros ou
animais. Também em uma cena a sombra de Bigby mostra sua forma de lobo. Esses
pequenos detalhes dão sabor a história e prendem o leitor.
Outro ponto positivo é a investigação feita pelo
Lobo Mau, como em um bom Sherlock Holmes, o detetive faz várias deduções, mas
guarda o que descobriu para si mesmo, deixando Branca de Neve – e os leitores –
curiosos. E como nos livros de Sir Arthur
Conan Doyle, só revela o que sabe no final. Quem cuida dos desenhos dessa
edição é Lan Medina, e ele é extremamente competente no que faz. É só reparar
nas expressões de Branca de Neve nas primeiras páginas, ou no flashback
do Adversário tomando os reinos para ver como ele desenha bem.




