quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Fábulas por @tempestate

Depois de muita insistência meu caro amigo Igor acabou escrevendo uma bela resenha da hq Fábulas que poderão conferir a seguir.





Hoje em dia a moda é fazer adaptações dos antigos contos de fadas, no cinema temos “Espelho, espelho meu”, “Branca de neve e o caçador” e A garota da capa vermelha. Na TV há séries como “Once Upon a Time” e “Grimm”. Mas foi no começo dos anos 2000 que duas obras se destacariam por subverter cada um a sua maneira os contos de fadas. A primeira todo mundo conhece, Shrek ficou famoso pela ironia do roteiro, pelos divertidos números musicais e por abordar a história não do ponto de vista de um herói ou uma princesa, mas sim de um ogro. A outra obra é uma adaptação em histórias em quadrinhos, Fábulas ficou conhecida pelo roteiro inteligente e a forma adulta que lida com os velhos contos.
E lendo “Lendas no exílio”, primeiro arco de histórias não é difícil entender por que a série faz tanto sucesso. O roteirista Bill Willingham usa os velhos personagens
conhecidos de todos nós de forma inteligente e cativante, Esse primeiro arco serve como introdução para o mundo de Fábulas, nele sabemos que alguém conhecido apenas como O Adversário tomou os antigos reinos das fábulas e elas fugiram, com o passar do tempo acabaram exiladas em Nova York. Agora as fábulas vivem secretamente no nosso mundo, se passando por pessoas normais, muitas delas não tem mais esperanças de recuperar suas terras. Logo tudo estava tranquilo até que Rosa Vermelha desaparecer. Sua irmã, Branca de neve, que ocupa uma posição importante na cidade das fábulas, com a ajuda de Bigby Lobo, o Lobo Mau, começam a procurá-la. E logo nas primeiras páginas da para notar como Willinghan criou (ou melhor recriou) bem as personalidades dos personagens. Branca de Neve é temperamental e cabeça dura, O Lobo Mau é frio e pragmático, João das Lorotas (o mesmo que vendeu os feijões mágicos) é um enganador. Barba Azul é um aristocrata e assim como em sua versão original, potencialmente perigoso. Príncipe Encantado é um folgado manipulador O conceito de magia que o autor usa também é muito legal, no decorrer da história ficamos sabendo que o maior segredo das fábulas é o seu anonimato no nosso mundo, mas nem todas têm forma humana, logo elas tem tomar poções para adquirir forma humana ou ir para a fazenda, onde ficam as que tem forma de monstros ou animais. Também em uma cena a sombra de Bigby mostra sua forma de lobo. Esses pequenos detalhes dão sabor a história e prendem o leitor.
Outro ponto positivo é a investigação feita pelo Lobo Mau, como em um bom Sherlock Holmes, o detetive faz várias deduções, mas guarda o que descobriu para si mesmo, deixando Branca de Neve – e os leitores – curiosos. E como nos livros de Sir Arthur Conan Doyle, só revela o que sabe no final. Quem cuida dos desenhos dessa edição é Lan Medina, e ele é extremamente competente no que faz. É só reparar nas expressões de Branca de Neve nas primeiras páginas, ou no flashback do Adversário tomando os reinos para ver como ele desenha bem.
A edição da Panini é muito bonita, e tem um bom custo-benefício. O papel LWC valoriza os traços de Medida. Apesar de não haver muitos extras, está na edição as belíssimas capas de James Jean e um conto em prosa, também escrito por Willinghan. Fábulas é uma das melhores coisas saiu nos últimos anos nos Estados Unidos. Tem um roteiro realmente inteligente, personagens carismáticos e humor, e ainda uma qualidade rara para uma HQ: a capacidade de atrair pessoas que não gostam de ler quadrinhos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário